As informações sobre saúde contidas neste site não pretendem substituir a consulta ao profissional médico. Cuidar-se de forma preventiva é sempre a melhor forma de preservar sua saúde.
Dr. Paulo Riberio
Pediatra
Amor em forma líqüida
É importante apoiar, promover e proteger o aleitamento materno, que garante a saúde da mamãe e do bebê.
Recém-nascidos devem receber exclusivamente o leite da mãe por pelo menos 6 meses.
A mulher que gera, alimenta e protege seu bebê ao longo dos nove meses de gestação, sabe da importância de seus atos para a saúde da nova vida que carrega. A responsabilidade materna não termina quando a criança deixa o ventre da mãe. Pelo contrário. “É exatamente nos primeiros meses de vida que a criança mais necessita de atenção integral, oferecendo à mulher a oportunidade de dar continuidade à maravilhosa obra de trazer um ser humano à vida”, afirmou o médico pediatra Paulo Quaiotti Ribeiro.
De acordo com ele, o aleitamento materno, método natural de alimentação para o recém-nascido, fornece incontáveis benefícios à saúde do bebê e da própria mulher, além de contribuir de forma precisa para estreitar os laços de cumplicidade, intimidade e de amor entre mamãe e bebê.
Paulo Ribeiro afirma que o preparo para a amamentação tem início ainda durante a gestação. A futura mamãe deve buscar com seu obstetra, durante as importantes consultas mensais para o correto acompanhamento da gravidez, as orientações necessárias para sentir-se segura e corrigir possíveis enganos desse período de espera. O preparo dos seios durante a gestação é muito importante para que a amamentação não seja prejudicada.
A alimentação da gestante também é de suma importância. “Deve ser baseada na qualidade e não na quantidade de alimentos, assim é possível prevenir doenças como diabetes, obesidade, hipertensão arterial e a eclampsia materna. Pelo lado do feto, a boa alimentação da mãe lhe transmitirá os nutrientes necessários para seu perfeito desenvolvimento, evitando a prematuridade, defeitos congênitos, obesidade, hipoglicemia e outros problemas graves de saúde”, disse o pediatra.
No parto natural, a amamentação feita logo nas primeiras seis horas após o parto e a adoção de métodos como o alojamento conjunto – quando o bebê fica no mesmo quarto da mãe - e o mamãe-canguru pelas maternidades, são fatores pouco enfatizados na rotina dos hospitais, mas fundamentais para a saúde do recém-nascido.
Amamentação natural continuada
Pesquisas indicam que a idade materna influencia sobremaneira na amamentação. Mostram que a tendência entre mães com menos de 20 anos de idade é não amamentar seus filhos de maneira natural.
No geral, a porcentagem de mães que amamentam seus filhos após receberem alta hospitalar é de 98%, índice que demonstra um aumento da consciência das mães sobre a necessidade desse ato de amor.
Infelizmente, esse número de crianças que recebem exclusivamente o leite materno cai vertiginosamente para 60% ao fim do primeiro mês de vida do bebê, passando a 20% ao final do quarto mês e para apenas 5% no final do sexto mês. Esses índices estão muito abaixo dos preconizados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância).
“Devemos motivar constantemente as equipes médicas, de enfermagem e todos os profissionais da saúde envolvidos nos cuidados materno-infantis para que possam conscientizar as mulheres e incentivá-las a amamentarem seus filhos”, ressaltou Ribeiro.
Benefícios do leite materno ao bebê
O leite materno fornecido com exclusividade durante os seis primeiros meses de vida do bebê, é o alimento ideal para o ser humano nessa fase da vida em que o recém-nascido ainda não apresenta o sistema imunológico de defesa completo. É um alimento imunologicamente perfeito e primordial para o desenvolvimento neuro-psico-emocional da criança.
Estudos recentes demonstraram que o leite materno evita a obesidade infantil, o diabetes, a hipertensão arterial e outras enfermidades que têm afetado cada vez mais as crianças.
Não podemos nos esquecer do lado financeiro e da praticidade que a alimentação natural promove. “O leite do peito está sempre pronto e na temperatura certa para o bebê, não precisa ser fervido, nem preparado, proporcionando conforto especialmente às mães. Aquelas que optam por amamentar seus filhos com métodos não naturais (leite de vaca, leite em pó e outros), geralmente ficam mais cansadas por terem que levantar à noite para preparar o produto”, destacou o médico.
Há fatores que prejudicam a continuidade da amamentação natural, como a prematuridade, que devido à sua condição delicada o bebê encontra dificuldades para a sucção do leite do peito.
O uso do tabaco e o consumo de bebidas alcoólicas devem ser evitados especialmente durante a gestação e também no período de aleitamento materno. Esses tipos de drogas podem acarretar queda no peso e na estatura do bebê, além de provocar a diminuição da produção do leite materno, entre outros problemas.
Outros fatores prejudiciais à alimentação natural do bebê incluem a técnica incorreta de amamentação, que leva ao desestímulo, o uso da chupeta e a pressão social exercida sobre a mãe para que ela deixe de amamentar naturalmente seu filho.
A introdução precoce de outros alimentos e leites não humanos, elevam muito o perigo de infecções, riscos de doenças alérgicas, ganho anormal de peso e outras patologias. “Nunca é demais lembrar que tudo de bom que é feito para seu filho na infância, refletirá positivamente no futuro dele”, alertou o pediatra Paulo Ribeiro. “Amamentar é um ato natural de amor”, complementou.